Tomando um desses ônibus que circulam entre a Avenida Nossa Senhora da Penha e a Praça Oito, sentei-me e logo fui abordada por um garoto de mais ou menos oito anos que me estendia um cartão. Esse requisitava uma ajuda de custo para seu pai, cuja verdade não podia avaliar, pois não conhecia a situação. Experimentei naquele momento, a idéia de que através de um cartão, existia a propaganda da desgraça humana para a promoção de indivíduos que não têm coragem de enfrentar a situação de frente.
O que estava registrado ali, não era fruto de uma realidade diária, pois o aspecto do papel era envelhecido e marcado pela repetição do “jogo” feito de ônibus em ônibus no dia a dia. Observe como a coisa é séria se tomarmos consciência do esquema que pode estar montado por trás de um pequeno garoto que salta em um ponto qualquer da cidade para comodamente contabilizar a coleta que fez sem ao menos ter o compromisso de dizer, muito obrigado! Qual poderá ser o rumo que essa criança tomará na estrada que abriram para ela?
Sabe-se que a propaganda é jogo de consumo. E quem não tem estrutura para isso, não pode entrar nesse esquema. Luxo é só para quem tem condições de sustentá-lo, senão vira corrupção. É claro que uma criança não tem “anti-corpus“ para se defender de certas irresponsabilidades das pessoas adultas. Como também, é um ser puro demais para ser desrespeitado com a forma pela qual lhe são impostas determinadas atividades. A ela, deve ser dados atributos básicos para uma vida digna: alimentação, saúde, educação e lazer.
É preciso que essa criança encontre a direção do homem de amanhã. É uma flor que desabrocha para a apreciação… e não uma pedra no caminho, trazendo assim, possível desgosto para a família e temor social. É necessário, portanto, salvar a dignidade desses homens do futuro. Quem tomaria posição nessa defesa? Espera-se uma resposta em ação, de modo concreto, daqueles que figuram na propaganda eleitoral e que sairão vitoriosos para o exercício político, trazendo de modo especial, valores para mudar a história de uma pátria que se diz amada, conservando as palmeiras para que cantem os sabiás, ou seremos uma pátria corrupta deitada em berço esplêndido.